terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Morte de ditador norte-coreano põe em xeque a segurança na Ásia

A morte do ditador Kim Jong il, 69 anos, ocorrida no sábado, em decorrência de um ataque                                                                          cardíaco em seu luxuoso trem






Kim Jong il estava no poder há 17 anos. Tido como excêntrico pelo Ocidente, o norte-coreano se autoproclamou ‘querido líder’ após suceder seu pai, Kim II-Sung, o ‘grande líder’ e ‘eterno presidente’, que governou o país comunista durante mais de 40 anos, até a sua morte, em 1994.

Kim costumava ser ridicularizado por seus hábitos de playboy, sua cabeleira e seus sapatos de salto alto (para compensar a baixa estatura, de apenas 1,57m). Louco para o resto do mundo, o ditador sempre foi considerado “como um Deus” em seu país.

Entre muitos mitos, os norte-coreanos aprendem em livros escolares que Kim Jong-il foi o responsável pela invenção do hambúrguer, aprendeu a falar com apenas seis semanas de vida e não precisa utilizar o banheiro por nenhuma razão. Em relação aos esportes, a mídia estatal diz que, em 1994, o líder norte-coreano conseguiu completar os 18 buracos de um campo de golfe de Pyongyang em apenas 34 tacadas - o recorde mundial para qualquer campo de golfe é de 59. O anúncio oficial de sua morte, por exemplo, foi feito em meio ao choro da apresentadora da TV estatal. Ao longo do dia, também foram divulgadas imagens de norte-coreanos desesperados com a morte do líder.

Com 23 milhões de habitantes, a Coreia do Norte é uma potência militar armada até os dentes, possui tecnologia nuclear e tem o quinto maior exército do planeta, com 1,2 milhão de militares na ativa e cerca de 4 milhões de reservistas. Além dos membros do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Reino Unido, Rússia, China e França), apenas Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte também possuem armas nucleares. Por isso, toda a preocupação global quanto ao futuro da Coreia do Norte.

Tensão global
Por conta da morte do ditador, o Conselho Nacional de Segurança da Coreia do Sul se reuniu para um encontro de emergência. Ontem mesmo, praticamente ao mesmo tempo em que a morte de Kim Jong il foi divulgada, a Coreia do Norte testou mísseis próximos à fronteira sul-coreana. Toda a tensão faz sentido: tecnicamente, as duas Coreias permanecem em estado de guerra desde a Guerra da Coreia (1950-1953). Os países assinaram apenas um cessar-fogo.

Ontem, em visita ao Japão, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, falou sobre a morte de Kim Jong il e disse que espera uma transição “estável e pacífica” para o país. Disse, também, que os Estados Unidos querem melhorar suas relações com os norte-coreanos, conforme noticia a agência AFP.

Tradicional aliado da Coreia do Sul, os Estados Unidos viveram momentos de tensão com o regime de Kim Jong il, principalmente durante os mandatos do ex-presidente George W. Bush, que classificou a Coreia do Norte como um dos países do ‘Eixo do mal’, ao lado de Irã e Iraque.

Em 2005, Kim Jong il admitiu ter armas de destruição em massa: “Nós fabricamos armas nucleares para defesa e para lutar contra a administração de Bush e sua política para isolar e separar [a Coréia do Norte]. Nossas armas nucleares se manterão como uma força para autodefesa sob qualquer circunstância”.

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